CICLOTURISMO, bike sem limites.


HISTÓRIA DE VIAGEM: De Brasília à Salvador, 2.000km.
Aventura do pedal

Grupo de ciclistas pedalou dois mil quilômetros, de Brasília a Itacaré. Com pouco dinheiro e muita disposição, os rapazes querem agora chegar a Machu Pichu, no Peru, vencendo um percurso de muitas dificuldades

Integrantes: Yuri Tisi, Cyro dos Anjos, Marcos Telles, Guilherme Pahl, Samuel Matos e Moacyr Belchior

Especial para o Correio Brasiliense

Saímos de Brasília, muita coisa para resolver antes da partida. Começamos a pedalar às 11h. O início da viagem até Unaí foi forçado com algumas subidas. Daí pra frente muitas serras (no total foram 8), atravessando os 1.200 quilômetros de Minas Gerais. Foram 15 dias para chegar na praia, 1500 quilômetros. De Porto Seguro descemos até Caraívas e ficamos seis dias, muito forró e areia fofa para andar; e um visual muito bonito do Rio Caraívas que deságua no mar.
   Subimos mais três dias até Belmonte, passando de lancha o maior mangue do Brasil, chegando em Canavieiras. A travessia é muito bonita, dando pra ver bem de perto o maior mangue do Brasil. Daí para frente, passamos por Ilhéus e subimos a serra para chegar em Itacaré. Alguns ficaram na cidade e o que restou do pessoal subiu até Salvador, totalizando 2.200 quilômetros de pedal.
   A equipe já pedala pelo Goiás e outros estados desde 1997, totalizando 10.000 quilômetros em viagens, fora o treino diário para os campeontos regionais. As principais viagens já realizadas foram dentro do estado do Goiás: Brasília - Paraúna - Caiapônia (850km); Alto Paraíso - Cavalcante - Terra Ronca (1800km); Pirinópolis pelas trilhas (180km); Brasília - Alto Paraíso - Fazenda da Lua (Cachoeira do Rio dos Couros) 400km. E muitas outras trilhas no DF que temos conhecimento: Tororó, Altiplano, IBGE, FAL, Jardim Botânico, Park Way, Fercal, Sobradinho, Colorado, Poço Azul, Chapada Imperial, Barragem do Paranoá, etc. A equipe não possui patrocínio para as competições, porém já tem muitos títulos em campeonatos no DF, se destacando entre eles: Cyro dos Anjos, Yuri Tisi e Guilherme Pahl.
   No cicloturismo temos um projeto em mente que é o Machu Pichu - Ushuaia. Saindo de Brasília, passando pelo pantanal Mato Grossense, subir a cordilheira com mais de 4.000 metros de altitude, até La Paz. Seguiremos até Machu Pichu no Peru, dando a votla no Lago Titicaca. Mais à frente atravessaremos o deserto do Atacama, seguindo até o extremo sul do continente, totalizando mais de 8.000 quilômetros. O tempo de viagem está previsto em quatro meses, e serão muitos os gastos com alimentação e equipamento.
   O cicloturismo é uma modalidade que cresceu bastante nos últimos anos. Evidencia o contato direto com a população e a cultura de cada região. Cada um pratica de uma maneira, alguns vão num ritmo lento, dormem em pousadas e gastam muito dinheiro. A nossa equipe pretende pedalar uma média de 100 quilômetros por dia, dormindo em barracas em posto-de-gasolina na beira da estrada, economizando bastante dinheiro. Algumas veses até preparando a comida, pois com muita gente fica mais fácil. E mais importante, nunca esquecemos de preservar o meio ambiente pelos lugares que passarmos.
   Acompanhe o diário de bordo de nossa última aventura, pedalando por 30 dias, de Brasília a Itacaré, na Bahia.

ROTEIRO

Brasília - Unaí - Uruana - Urucuia - São Francisco - Brasília de Minas - Montes Claros - Salinas - Pedra Azul - Almenara - Salto da Divisa - Eunápolis - Porto Seguro - Trancoso - Caraívas - Porto Seguro - Belmonte - Canavieiras - Ilhéus - Itacaré - Barra Grande - Camumu - Valença - Itaparica - Salvador.

DIÁRIO DE BORDO

Alguns dias da viagem:


1º dia (107km, em 4hs37min)

Saímos de Brasília tarde, às 11hs, e sem o Moacyr. Muitas subidas inclinadas no início da viagem. Fizemos duas paradas para comer, e no final da tarde acampamos no salão de sinuca do posto de gasolina.

2º dia (108km em 4hs30min)


Saímos às 11hs. Já iniciando uma sessão de subidas de uns 10km, e logo chegamos no Altiplano. Giramos forte durante os retões e começamos a descer até o vale do Rio Preto, acompanhando-o até Unaí. Logo na saída o pneu do Cyro furou bem na chuva que durou 10 minutos. Giramos mais 40km num sobe e desce até o posto de gasolina dos Gordos.

3º dia (50km em 3hs)

Uruana. Partimos do posto já com o Moacyr que veio ontem à noite de carro com o irmão. 5km de sobe e desce inclinado e começou a subida do Gueba, uma serra de uns 10km sem parar, muito longa. Rodamos forte até Guarapuava e pegamos a terra. Mais à frente viramos na placa à direita depois da primeira descida longa, pegando para a Cachoeira da Jibóia. O pneu do Yuri furou, rodamos 6km até a cachoeira, muito bonita, com 150m de altura. O Moacyr caiu no mata burro, quebrando o câmbio e afrouxando os raios. Conseguimos dar um jeito para ele rodar até a próxima cidade, Uruana. Comemos e acampamos no posto de gasolina.

5º dia (130km em 7hs30min)


Rio São Francisco. Saímos às 11h30 de Urucuia, a estrada estava em péssimo estado. Com 25km, a bike do Moacyr terminou de quebrar, ele pegou carona até São Francisco e encontrou o Sérgio. Lanchamos numa birosca e seguimos 20km. Faltando 10km pegamos um single trek beirando a estrada passando entre arbustos e árvores. Radical. Comemos um P.F. em Pintópolis e resolvemos seguir à noite até a balsa. A estrada estava pior do que nunca, a garupa do Yuri quebrou logo no início, prendemos com fita plástica. Quase acampamos no meio do mato, a água acabou, rangamos o que tínhamos: extrato de soja, farelo de granola e gergelim. Depois tomamos o Whey Protein (100% proteína) que o Rafael trouxe. O Grupo perdeu uns 2kg nesse dia. Acampamos ao lado da lanchonete da balsa.

6º dia (45km em 2hs30min)

Luizândia. Acordamos cedo por causa do sol, atravessamos o Rio São Francisco de balsa e logo na saída encontramos o Moacyr e o Sérgio que veio de ônibus de Brasília, agora estão todos. Ficamos o dia inteiro lavando e arrumando as bikes no posto de gasolina. Saímos no final da tarde e rodamos 45km até Luizlândia. Acampamos na praça e comemos um P.F. na pensão.

8º dia (72km em 4hs)

Francisco de Sá. Saímos bem cedo de Nova Esperança, às 9h30. Chegando em Montes Claros após rodar 20km, fomos no supermercado e no banco. Logo em seguida a corrente do Cyro quebrou e arrancou um pedaço do passador dianteiro, para descer a corrente só com o pé. Paramos para comer na saída em uma sombra, como sempre. Até os 50km o Sérgio ficou com a gente, depois ficou para trás. Chegamos em Francisco de Sá com 72km e armamos as barracas em frente a uma capela, no posto de gasolina.

9º dia (125km em 5hs10min)

Logo no início a subida da Serra do Espinhaço, longa e pouco inclinada. Alguns pegaram rabeira no final. Depois de passar a serra, o terreno ficou plano e o ritmo forte. Pedalamos até escurecer, forçando as pernas, chegando na média de 33km/h no último trecho. Acampamos no posto.

10º dia (50km em 2hs30min)

Salinas. A saída foi enrolada, a garupa do Yuri quebrou, e rapidinho passamos uma fita plástica. Rodamos bem, e na última subida pegamos rabeira, o Yuri foi jogado para fora e caiu no barranquinho. Chegando em Salinas resolvemos parar para tomar uma cachaça e fazer uma disputa de sinuca. Depois fomos na bicicletaria arrumar as bikes, e o Sérgio deu um trato na garupa do Yuri com Durepox. O pessoal da oficina gostou da gente e cedeu banho e hospedagem numa casa de primeira, a melhor da viagem. Depois fomos tomar cerveja na praça, e mais tarde fomos pro forró de carona e voltamos às 4hs.

11º dia (77km em 3hs40min)

Dormimos até às 8h30, comemos um fubá e seguimos viagem. Ainda na cidade o pneu do Sérgio e do Moacyr furou. Almoçamos na feira da cidade. Começamos a pedalar às 15h, no caminho da saída da cidade de terra que cortava caminho erramos uns 6km de ida e volta. Pegando o asfalto muitas subidas logo no início. Comemos no caminho e encaramos outras várias subidas. Chegamos no Altiplano às 18h45 (Posto União) e depois decidimos tocar mais 40km com retas, descidas e poucas subidas. Chegamos às 20h depois de rodar 10km no escuro. Havia alguns caminhões na estrada, mas fomos respeitados. Dormimos no quartinho do borracheiro .

13º dia (65km em 3hs30min)

Pedra Grande. Acordamos cedo com o sol forte, e fomos arrumar a roda do Yuri na oficina, e comprar banana na feira. Saímos às 11h, e fizemos um fubá na saída como sempre. Seguimos mais 19km com descidas até Pedra Grande, e no meio do caminho a garupa do Yuri quebrou de novo. Comemos e tomamos banho na casa da dona Maria, e acampamos dentro de um casarão abandonado. Quando começamos a dormir o Cyro vomitou na porta principal, e o Sérgio teve dor de barriga.

14º dia (100km em 5hs)

Jacinto. Acordamos cedo, limpamos a bagunça, e saímos sem comer direito, só o extrato de soja que estávamos tomando todo dia ao acordar. Rodamos até Almenara e comemos muito, tendo de fazer uma parada pra digestão na saída da cidade. A estrada agora é asfaltada, e estamos seguindo o Rio Jequitinhonha. Faltando 12km pegamos uma estrada de terra ruim à noite até chegar em Jacinto. O Cyro levou um tombo, mas tudo bem. Dormimos num posto de gasolina na entrada da cidade.

15º dia (96km em 5hs)

Itagimirim. Acordamos cedo, e fizemos um fubá lá mesmo. Saímos às 11h, giramos 48km de terra ruim, e a garupa do Yuri foi desmontando no caminho. Comemos um P.F. em Salto
da Divisa e seguimos 48km de asfalto com algumas subidas fortes e muito sobe e desce. Chegamos à noite na BR-101. Jantamos em Itagimirim e dormimos na posto fiscal do trevo. A garupa do Yuri quebrou em mais 2 pontos, perda total.

16º dia (130km em 5hs20min)

Arraial D'Ajuda. O Yuri acordou bem cedo para arrumar uma garupa de ferro e colocar uns raios na roda. Saímos cedo depois de tomar café na padaria. Logo no início muito sobe e desce e carretas nos 33km da BR-101. Chegando em Eunápolis, comemos um P.F. e fomos no banco, e logo na saída para Porto Seguro caiu um chuvisco. Só retas e descendo sempre, e apesar do vento contra fizemos uma média de 30km/h. Chegando em Porto Seguro, fomos curtir a praia em Mundaí, e depois fomos comer no centro. Pegamos a balsa à noite, pedalamos mais 3km e uma subida forte até Arraial. Ficamos num quartinho ao lado da Igreja.

20º ao 23º dia

Descanso. Mais quatro dias de praia, forró e mulher em Caraívas.

24º dia (28km em 3hs10min)


Trancoso. Saímos tarde por causa do último dia de forró, mal comemos café da manhã e fomos para a Barra empurrando as bikes pela areia. Passamos as bikes e fomos nadando. Começamos a pedalar às 18h e a maré estava baixa. Seguimos pela praia até Curuípe, chegamos lá à noite, empurrando quase metade do percurso. Continuamos a empurrar e pedalar pela areia fofa, porém melhor do que a estrada. Chegamos às 21h30 no Rio dos Frades. Para atravessar tinha que pagar R$ 2,00, e o pessoal não tinha nada. O Yuri então pegou a bike e foi carregando até a metade dos 200m de rio na cintura, e então o pessoal aderiu ao movimento no limite. Passamos até a outra margem no limite da força, quase virando com bike e tudo. Chegamos às 10h30 em Trancoso após pedalar e empurrar bastante. Jantamos mais de 1kg, e conseguimos uma casa para dormir por R$ 4,00.

25º dia (20km em 1h30min)

Arraial D'Ajuda. Saímos às 18h30 de Trancoso após curtir um dia de praia e comer pão puro na padaria. Estamos sem dinheiro por falta de banco, o pessoal até emagreceu um pouco. O Moacyr e o outro Rafael que conhecemos em Arraial e estava de bike voltaram para Brasília. Rodamos os últimos 6km de asfalto com a lua iluminando legal. Ficamos novamente ao lado da igreja por R$ 3,00 desta vez, e jantamos até passar mal de tanto comer por R$ 5,00.

26º dia (80km em 4hs40min)

Belmonte. Levantamos cedo de Arraial e passamos a balsa para Porto Seguro. Comemos no mesmo lugar e pedalamos até a saída para fazer a digestão numa sombra. Rodamos 80km só de retas e vento contra o tempo todo. No caminho tivemos de pegar outra balsa, chegamos à noite em Belmonte, com lua cheia e estrada deserta. Comemos um P.F. por R$ 3,00 e ficamos numa pousada com café da manhã por R$ 6,00.

27º dia (50km em 2hs20min)

Una. Logo cedo fomos nos informar sobre o barco que atravessa o maior mangue do Brasil, chegando em Canavieiras. A maré precisa estar alta, só saímos às 14h, e até lá ficamos arrumando as bikes. A travessia durou 1h até Canavieiras, fazendo curvas e desviando de troncos entre o mangue. Chegando lá, comemos um P.F. por R$ 3,00 e seguimos até a saída para fazer digestão. Seguimos mais 50km de retas e vento contra e no final algumas subidas e depois um sobe e desce. Chegamos à noite em Una, comemos outro P.F. e acampamos atrás do posto de gasolina.

29º dia (32km em 1h30min)

Itacaré. Acordamos bem cedo com o sol forte na barraca, fizemos um cuscuz e arrumamos as bagagens. Logo no início, a subida mais longa e inclinada do dia, fomos na marcha mais leve, e ainda deu trabalho. Faltando 10km para Itacaré, encontramos 3 amigos de Brasília que vieram de ônibus e estavam percorrendo o litoral de bike, porém estavam indo embora. Foram 32km de muitas subidas fortes e cortando a Mata Atlântica preservada de Itacaré. Faltando 5km tinha até uma ciclovia. Acampamos no camping do Ivan por R$ 3,00.

30º dia

Trilha da Prainha, 20km ida e volta. Trilha radical com subidas muito íngremes, porém curtas. Muitos troncos, raízes e folhas secas pela Mata Atlântica.

Matéria do Correio Brasiliense, de autoria original de Yuri Tisi.
CHAPADA DOS VEADEIROS



Um dos mais belos Parques Nacionais do Brasil

Brasília - São Gabriel - São João da Aliança - Alto Paraíso - São Jorge Colinas do Sul - Capela - Cavalcante - Prata - Cavalcante Teresina Monte Alegre - São Domingos - Terra Ronca - Manguinha Nova Roma - Alto Paraíso - São Jorge - Capela - Cavalcante

1º dia: Brasília - São Gabriel. 98km, com muitas retas e algumas subidas.
Saimos às 8:30 depois de alguns imprevistos. Fizemos duas paradas até chegar em São Gabriel. Dormimos no gramado de uma casa em frente ao posto de gasolina com as bikes dentro da barraca. Jantamos num restaurante ao lado por R$ 4,00.

2º dia: Venda. 80km, com algumas subidas longas. Saimos 11:30 pois não tínhamos dormido bem na noite anterior. Paramos em São João para plastificar e fixar o patrocínio, e colocar um raio na roda do Moacyr. Fizemos uma parada a 7km de São João numa cachoeirinha. Chegamos na Venda anoitecendo e pedimos para cozinhar o macarrão que vendia lá. Lançamos as bikes dentro da barraca.


Cachoeira Água Fria, Alto Paraíso

3º dia: Alto Paraíso - Cachoeira Água Fria. 88km.
Algumas subidas. Chegando no Alto Paraíso comemos no Bule da Vovó, compramos mantimentos e fomos acampar na Água Fria (6km de asfalto + 6km de terra). Chegando lá entramos sem pagar e fizemos um macarrão na fogueira.

4º dia: Água Fria - Alto Paraíso - São Bento - Alto. 35km. Saimos 12:30 depois de tomar banho na cachoeira. Chegando no Alto almoçamos no Bule e compramos mantimentos. Chegando na São Bento (8km de terra) não conseguimos permissão para acampar na Almécegas. Tomamos banho na São Bento sem pagar, voltamos para o Alto Paraíso e dormimos no Camping do Portal.

5º dia: Cachoeira Almécegas II. 26km. Pedalamos 8km até a São Bento e mais 4km para descer a estrada que chega na Almécegas II. A Cachoeira é muito bonita com um poção e pedras para pular. À noite comemos no Bule e fomos na casa do guia Lula, que deu algumas dicas sobre a chapada juntamente com o mapa do Elias, que custa R$ 1,00 e vende em vários lugares.


Vão atrás do Parque Nacional da
Chapada dos Veadeiros


6º dia: Cachoeira do Macacão. 52km.
Saimos 13:30 depois de almoçar no Bule. Pegamos mantimentos no Transchapada Turismo.

Descemos um morrão antes da entrada do Macacão e rodamos 6km até uma fazenda sem saída, voltamos tudo. Quando deu 20km de rodovia viramos à esquerda na placa Fazenda Posse. Seguimos na estrada de terra e passamos reto na placa Fazenda Sol Nascente. Rodamos 10km a mais saindo numa sede de fazenda. Depois em vez de subir uma estrada rente a cerca, passamos reto e fomos parar em outra cerca. Subimos a pé acompanhando a cerca até o alto do morro e avistamos a estrada de longe. Descemos e seguimos a cerca empurrando a bike na maioria das vezes, pulamos uma cerca, pegamos uma trilha e finalmente pegamos a estrada certa. Descemos o Vale do Macaco e avistamos já anoitecendo um rancho de palha da Comunidade da Oca que fica a 15km do Macacão. Não tinha ninguém, porém tinha tudo para fazer o macarrão.

7º dia: Alto Paraíso - Valdomiro. 62km. Saimos um pouco tarde depois de lavar a louça e deixar tudo como estava. Depois de subir o Vale do Macaco pedimos informação e descobrimos que tem uma vila chegando no Macaco, era tarde para voltar tudo e ficar outro dia para conhecer o Macacão. Chegando em Alto Paraíso seguimos direto para São Jorge anoitecendo. Sem visibilidade e a estrada de cascalho derrapando, acabamos dormindo no Valdomiro que fica na metade do caminho, no pé do Morro da Baleia.

8º dia: São Jorge - Morada do Sol. 40km. Saimos cedo depois de tomar um café da manhã reforçado do Valdomiro. Seguimos 22km até São Jorge, e ficamos no camping do Balbi que também é do Cicloturismo. Obs: 2 pneus furados e 1 raio quebrado. Ao sair para a cachoeira da Morada do Sol (9km) sem as bagagens encontramos o Júnior e a namorada que vieram pedalando de Brasília. Tentamos pegar uma trilha subindo o morro depois da portaria para não pagar. Não conseguindo achar a trilha depois de descer 3km e subir empurrando e pedalando, conseguimos depois de muita insistência entrar sem pagar. Chegando na cachoeira o Moacyr machucou o joelho e não vai pedalar amanhã.


Cachoeira do Segredo, São Jorge

9º dia: Cachoeira do Segredo. 32km.
Tomamos café na Téia por 2,50 (descontão). Só foi eu (Yuri) e o Rafael. Descemos 10km até a entrada da Fazenda do Sr. Claro e passamos a porteira. Descemos mais 4km até o curral, passamos outra porteira, e passamos o rio. Passamos por dentro do curral e seguimos reto em vez de virar a direita na estrada de terra batida.

Pegamos uma trilha radical atravessando o rio 5 vezes, até chegar em um pequeno Canion do Rio São Miguel, pegamos muitos carrapatos (micuim). Chegamos no final da tarde muito cansados, e sem conhecer o segredo.

10º dia: Colinas do Sul - Capela. 82km. Dormimos na casa do Balbi com as coisas já arrumadas, acordamos 6:30 e ainda assim só saímos 10:00hs com problemas com as bikes. Chegamos em Colinas meio dia e lanchamos na padaria. Depois tomamos banho no rio e seguimos até a Ponte do Rio Preto, aonde tomamos outro banho. Obs: Muito calor. Chegamos anoitecendo no Povoado da Capela e ficamos na casa da Chiquinha. Jantamos e tomamos café da manhã de graça na Chiquinha.


Vila da Capela (atrás do Parque)

11º dia: Cavalcante. 70km.
Saimos 10:30 da Capela e paramos no Rio Muquém para tomar banho. Passamos 2 horas frustradas tentando achar a trilha para a cachoeira do Roncador. O pneu do Rafael furou logo ali na frente (3 micro-furos), e tiramos uma foto com o vão atrás. Faltando 15km para Cavalcante começamos a subir a serra, muitas subidas e curvas. Foram 4,5 km de sprint na marcha mais leve. O Rafael pegou carona depois de empurrar metade da serra porque a bomba de ar não encheu o pneu dele bem. Ficamos na casa da Patrícia.


Cachoeira do Prata, Cavalcante


12º dia: Cachoeira do Prata. 70km.
Saimos às 14:00hs depois de tomar um café da manhã na padaria e comprar mantimentos. Logo no começo subimos uma serra mais inclinada que a anterior, com uma subida de 1,5km.

Depois de andar 38km, com muitas subidas e pontes chegamos numa tenda de palha, viramos a direita no saco plástico branco. Quando deu 62km viramos 2 vezes à direita no saco plástico branco. Chegamos num rancho de palha, dava para escutar a cachoeira, tomamos banho e fizemos macarrão na fogueira.

13º dia: Passamos o dia todo no Prata, descemos até a 4a cachoeira, andando uns 4km. Fizemos macarrão à tarde e outro à noite. Depois chegou o Balbi de carro com um casal para fazer um trekking de 4 dias descendo o Rio Prata.

14º dia: Cavalcante. 70km. Saimos bem cedo pois o Balbi acordou a galera. A Volta pareceu ser mais demorada. Em Cavalcante comemos no restaurante da Dona Júlia por R$ 3,50. Depois tomamos banho no Rio das Almas (3km). Em seguida o Rafael pegou carona para Brasília. No final da tarde fomos na bicicletaria e compramos 3 raios cada um ara repor e lavamos as bikes.

15º dia: Teresina - Monte Alegre. 110km. Saimos 12:30 após tomar café na padaria, comprar rapadura na feira e tomar banho no Rio das Almas. No caminho para Teresina o Rally Internacional dos Sertões cruzou a gente, muita emoção vendo os carros passando a 140km/h. Em Teresina fomos na padaria e chegamos no final do dia em Monte Alegre, vendo o apoio e a produção do Rally passar pela gente também em alta velocidade. Conseguimos ficar de graça na pousada do Xavier, depois de um bom papo.

16º dia: Vazante - Divinópolis - São Domingos. 97km. Saimos cedo epois de tomar café na padaria. 12km depois do posto de gasolina viramos à direita na estrada de cascalho para Divinópolis. Seguimos 33km até a Vazante, comemos uns doces e seguimos 39km de terra esburacada até Divinópolis. Lanchamos na padaria e seguimos 18km de asfalto até São Domingos. Chegamos no final da tarde e ajeitamos mais uns 3 raios em cada bike na oficina do Gato. Dormimos lá mesmo, depois de jantar no Ceará e tomar sorvete.


Terra Ronca, 90 metros de altura

17º dia: Terra Ronca. 55km.
Logo na saída a corrente do Moacyr quebrou, a chave de corrente tinha ficado com o Rafael, tivemos que pegar carona até a oficina do gato. Almoçamos por lá e saímos as 15:00hs.

Chegando em São João 40km, o raio do gato entrou no cassete travando-o, tive que rodar sem parar alguns quilômetros até resolver parar e arrancar na mão. Enquanto isso chega o Moacyr dizendo que o pneu dele furou e eu passei por ele sem vê-lo. Seguimos mais 10km até a casa de um fazendeiro que nos serviu um jantar de graça. Seguimos mais 5km até a Terra Ronca, chegando lá às 19:30 segurando a lanterna com a mão, acampamos embaixo da entrada de 90m da caverna.


Vão atrás do Parque Nacional

18º dia:
Comemos alguns biscoitos e rapadura pela manhã e entramos na caverna. Atravessamos o rio 2 vezes subimos 2 montanhas de areia e pedra solta e no final escalamos até o salão superior. Morcegos e aranhas eram comuns na caverna, e não seguimos em frente por falta de equipamento (lanterna para capacete e carbureto). Almoçamos de graça na casa do Ramiro, guia local. À noite fizemos macarrão e mais tarde o Ramiro apareceu lá. Ele nos contou sobre suas explorações nas cavernas, e até cachoeiras dentro de cavernas.

19º dia: São João - Piteira - Jacu - Manguinha. 98km. Saimos às 11:00hs e comemos algo no Pov. São João, pegamos um corta caminho cruzando a caatinga do parque estadual saindo na Piteira. Chegando lá estava passando um caminhão frutaria, fizemos a festa pois na região não tem isso. Seguimos 5km na estrada que vai para Estiva e viramos à direita na venda do Jacu. Pegamos um caminho cortando pelas fazendas, com mais de 30 mata-burros, 10 porteiras e colchetes, que sai na Manguinha. Chegamos lá à noite depois de errar 10km na sede de 2 fazendas, porém cortamos 40km sem passar em Monte Alto. Dormimos na casa de um fazendeiro pois lá não havia nada, nem luz.


Serra da Laranjeira

20º dia: Nova Roma - Comari - Venda do Rio São Bartolomeu. 70km.
Comemos o abacaxi da piteira, alguns biscoitos e seguimos 1 km até a Balsa. 30 minutos para passar, e ainda tínhamos que puxar a corda. Rodamos 18km até Nova Roma, lanchamos na padaria e seguimos fazendo uma parada num vilarejo mais à frente. Chegando em Comari 42km, lanchamos e compramos mantimentos. Seguimos 10km até a Venda na ponte do Rio São Bartolomeu, chegando lá deu diarréia por causa da mortadela que comemos em Comari. Acampamos á mesmo.

21º dia: Alto Paraíso. 70km. Jogamos uma sinuca antes de sair e tomamos soro em pó para reidratar. Saimos 11hs depois de comer alguns biscoitos.

Serra da Laranjeira chegando em Alto Paraíso

Antes de subir a serra conseguimos um almoço de graça. Subimos a pior serra da viagem, um sobe e desce que dificulta tanto pra quem vem, como pra quem vai. Chegamos no final do dia no Alto Paraíso e o meu pneu furou na ultima descida, daí descobri que deixei cair parte da minha grana. Dormimos na casa da minha tia. Era sábado e fomos para uma festa na Oca e encontramos 4 mountain bikers de Brasília que vieram de carro (Cyro, Ricardo, André e Pedro).

22º dia: Serra da Laranjeira. 50km. Descemos eu e o Moacyr para procurar o dinheiro e não achamos. Pegamos uma carona na volta que atolou numa subida de poeira que o Rally passou, tivemos que empurrar, chegamos muito sujos no Alto. Os outros 4 fizeram um pedal no Sertãozen (25km).


Rio Preto, atrás do Parque

23o dia: Pouso Alto (1.676m). 62km de asfalto.
Tomamos café e levamos um lanche (banana passa e granola). Não encontramos o local exato do Pouso Alto, porém tomamos banho perto da nascente do Rio Preto e subimos um barranco no ponto mais alto da rodovia, dava pra ver tudo.

24º dia: São Bento. 20km. Chegaram de Brasília pedalando o Marcos e o Antônio, com isso foram 8 pessoas. Almoçamos antes no Bule, e depois ainda jantamos.

25º dia: Cachoeira Anjos e Arcanjos. 62km. Almoçamos no Bule e o Moacyr foi para Brasília por causa da corrente.

26º dia: Cachoeira do Cristal. 26km. Tomamos um banho no final da tarde.

27º dia: São Jorge. 44km. Agora essa é a equipe que vai até o final: Marcos, Antônio, e Pedro que foi para Brasília e voltou. No caminho passamos na cachoeira João de Melo que agora é propriedade da Maria Paula do Casseta e Planeta. Encontramos com ela na saída e fomos bem recebidos apesar da invasão de propriedade. Chegando em São Jorge, ficamos no camping do Balbi e almoçamos na Nenzinha por 4 reais.

28º dia: Cachoeira do Segredo (100m). 46km.
Saimos um pouco tarde pois apareceram mais 5 mountain bikers, totalizando 9. Desta vez pegamos o caminho certo e atravessamos o rio 14 vezes. A cachoeira tem um poção de uns 50m, pena que o sol só bate meio-dia. Na volta tomamos banho num poço transparente ao lado do rancho.

29º dia: Tiramos o dia para descansar.

30º dia: Ponte do Rio Preto. 65km. Fizemos o mesmo esquema da última vez, só que desta vez estava tudo mais seco e quente. Tomamos banho na ponte do Rio Muquém e chegamos na Ponte do Rio Preto no final da tarde, e acampamos lá. Compramos mantimentos navenda e cozinhamos macarrão na fogueira.


Cavalcante, o fim da viagem

31º dia: Cavalcante. 85km.
Acordamos cedo, pedalamos 15km e fizemos uma parada na venda da Capela. Seguimos mais 22km e tomamos banho no Rio Muquém.

Na serra eu e o Pedro conseguimos subir até o topo sem parar, e logo depois a galera se reuniu para ver o pôr-do-sol. Chegamos em Cavalcante à noite e ficamos na casa da Patrícia. Obs: Quase caímos numa ponte de madeira chegando em Cavalcante.

32º dia: Nesse dia ficamos descansando e só pedalamos até o Rio das Almas (6km) para tomar banho.

33º dia: Cachoeira Veredas. 26km. Tomamos café na padaria e levamos uns biscoitos e uma goiabada. Chegando na sede da Fazenda Veredas o rapaz lá pediu para pagar e foi chamar outro, daí seguimos sem pagar. A estrada off-road que sobre para as 3 cachoeiras de cima foi radical, muita poeira. Depois descemos a pé e vimos um Canion com mais de 100m com duas cachoeiras caindo na seqüência.

34º dia: Peguei uma carona até Teresina com o Pedro, e o Marcos e o Antônio foram pedalando. Eu e o Pedro pegamos o ônibus para Brasília. Os outros 2 voltaram pedalando no outro dia quase chegando em São João da Aliança, dormiram no mato, e no outro dia pegaram carona em São João da Aliança.


Cahoeira Veredas, Cavalcante

DICAS:

Peça sempre informações aos guias de como chegar nas cachoeiras.
Na maioria das cachoeiras tem de se pagar uma taxa que vai de R$ 2,00 a R$ 4,00. Primeiramente tente entrar sem pagar, depois peça o desconto. Eu e o pessoal não pagamos nenhuma cachoeira, porém gastamos muita lábia, e até uma plaqueta extra do patrocínio para entrar na Morada do Sol.
Chegando em Alto Paraíso compre o mapa do Elias, que tem quase tudo sobre a chapada.

EQUIPAMENTO:

Pessoal: Bicicleta, garupeira, 2 caramanholas, alforjes, elásticos, poucas peças de roupa, tênis ou chinelo, capacete, sapatilha, roupa de ciclismo, barraca, saco de dormir, isolante térmico, 2 câmaras de ar reserva, remendos, bomba de ar, complementos alimentares (barra de cereais, granola, banana passa etc.)

Grupo: Lanterna, canivete de chaves completo, chave de corrente, chave de raio, cadeado, pneu reserva, panela, 3 pratos, talheres, material de primeiro socorros, diário de bordo, caneta, vela, óleo para cozinha, sal.

Obs: A bike pode ser colocada dentro da barraca em lugares perigosos.

DESPESAS:

Nas cidades o gasto médio diário é de R$ 12,00 a R$ 15,00. Nas cidades menores, vilas e povoados o gasto cai para R$ 8,00 a R$ 10,00. Nos restaurantes e café da manhã peça sempre um desconto, principalmente quando a cidade está cheia de turistas quando tudo fica mais caro. Conseguimos muitas refeições de graça no sertão voltando da Terra Ronca. O gasto total da viagem foi de R$ 300,00 podendo ir até R$ 350,00. O gasto médio diário foi de R$ 10,00.

Apoio:

Restaurante: Bule da Vovó - 9 dias de almoço e jantar (R$ 5,00), com direito a bebida.
Transchapada Turismo - Mantimentos p/ 2 acampamentos - (macarrão, molho, banana, mel, laranja, limão e rapadura).

Obs: Membros da equipe patrocinados: Yuri Tisi, Moacyr Belchior, Rafael Milagres. O resto da equipe conseguiu um desconto de R$ 5,00 para R$ 3,00.

Telefone p/ contato: Yuri: 61 8114-8858
E-mail: yuritisi@hotmail.com

EQUIPE

INTEGRANTE IDADE QUILOMETRAGEM
Yuri Tisi
Moacyr Belchior
Rafael Milagres
Marcos Telles
Antônio Vinícius
Pedro Davison
20
15
20
22
20
19
1776 km
1446 km
802 km
760 km
760 km
400 km

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